{"id":4218,"date":"2020-03-10T14:00:42","date_gmt":"2020-03-10T17:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/?p=4218"},"modified":"2020-03-31T16:22:31","modified_gmt":"2020-03-31T19:22:31","slug":"nao-somos-mais-colonia-a-forca-do-nosso-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/nao-somos-mais-colonia-a-forca-do-nosso-cafe\/","title":{"rendered":"N\u00e3o somos mais col\u00f4nia: A For\u00e7a do Nosso Caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o acorda cedo todos os dias para trabalhar na sua lavoura de caf\u00e9, investe em novas terras e m\u00e1quinas de alta tecnologia, irriga a planta\u00e7\u00e3o, cuida bem dos seus funcion\u00e1rios, respeita as leis e garante a preserva\u00e7\u00e3o das matas nativas. Jo\u00e3o \u00e9 um exemplo de produtor a ser seguido por todos os brasileiros, mas ainda assim pouco ou nada sobra no fim da safra e ele precisa pedir dinheiro aos bancos para custear sua produ\u00e7\u00e3o. O que ser\u00e1 que ele faz de errado?<\/p>\n<p>O caso de Jo\u00e3o n\u00e3o \u00e9 singular. Jo\u00e3o representa as milhares fam\u00edlias produtoras de caf\u00e9 do Brasil, que trabalham o ano inteiro e pouco ganham ao fim da safra. Penso que este problema ocorre porque Jo\u00e3o, sem saber, est\u00e1 sendo <span style=\"font-weight: normal !msorm;\"><strong>escravizado<\/strong><\/span>. Ao produzir um fruto de excelente qualidade, Jo\u00e3o o entrega barato para as cooperativas e exportadoras, que levam o melhor caf\u00e9 para Europa, Estados Unidos e Jap\u00e3o, deixando aqui as sobras. E o caso do caf\u00e9 se repete no da laranja, tomate e muitos outros alimentos em que somos mestres em produzir. A saca de caf\u00e9 comprada de Jo\u00e3o por R$ 500,00 se transformam em R$ 5 mil nas m\u00e3os de um pequeno torrefador italiano, sem marca expressiva, ou R$ 14 mil no eShop da poderosa Starbucks, R$ 21 mil em c\u00e1psulas ou sach\u00eas importados. N\u00e3o culpo nenhuma desses ind\u00fastrias, mas o comodismo do endividado Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora, mas se o Brasil apresenta indicadores de crescimento de consumo, economia voltando aos trilhos, mercado consumidor disposto a pagar R$ 5,00 numa x\u00edcara de espresso (que gerariam os mesmos R$ 2,5 mil faturados pelo italiano), por que entregar o ouro aos outros e ficar com o resto? De fato, sinto repulsa quando encontro com os Jo\u00e3o\u2019s que enchem o peito para falar que exportam seu caf\u00e9 para a Europa ou Jap\u00e3o. Isso \u00e9 f\u00e1cil, qualquer um consegue. Agora eu desafio o Jo\u00e3o a torrar seu caf\u00e9 aqui no Brasil, agregar valor a ele e, assim, exportar por um valor digno o excepcional caf\u00e9 brasileiro. Deixemos de ser col\u00f4nia, de nos subordinar \u00e0s negociatas das trades com as cooperativas de caf\u00e9 que s\u00f3 escravizam o produtor e desvalorizam seu belo trabalho.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 brasileiro \u00e9 o melhor caf\u00e9 do mundo. E n\u00e3o precisamos nos basear em estat\u00edsticas ou rankings internacionais para atestar isso. Fato recente que pode comprovar a qualidade do gr\u00e3o que produzimos \u00e9 que a Col\u00f4mbia, mundialmente consagrada por seu caf\u00e9, se rendeu a seu concorrente e est\u00e1 comprando o produto cultivado nas fazendas do sul de Minas Gerais para suprir a demanda interna. Milhares de turistas que visitam a nossa vizinha sul-americana \u00e0 procura de sua famosa bebida est\u00e3o, certamente, consumindo o nosso produto, o que \u00e9, no m\u00ednimo, engra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria do Jo\u00e3o ainda n\u00e3o acabou. Com o pouco que lhe resta, Jo\u00e3o vai \u00e0 cidade e compra um car\u00edssimo caf\u00e9 importado, j\u00e1 que o caf\u00e9 italiano \u201c\u00e9 o melhor do mundo\u201d. Desafio, ent\u00e3o, o Jo\u00e3o a me dizer onde h\u00e1 uma lavoura de caf\u00e9 na It\u00e1lia, na Alemanha ou no Jap\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1. O caf\u00e9 italiano \u00e9 o caf\u00e9 produzido por algum Jo\u00e3o, que chegou l\u00e1 praticamente de gra\u00e7a, foi torrado e empacotado, e voltou a pre\u00e7os absurdos.<\/p>\n<p>Desde 2007, o compromisso do Villa Caf\u00e9 \u00e9 levar o melhor caf\u00e9 produzido no Brasil aos brasileiros. O que sobrar, exportamos pelo pre\u00e7o que nos interessar. Acreditamos nesta atitude como uma forma de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds digno, rico e forte nos \u00e2mbitos econ\u00f4mico, social e cultural. N\u00e3o que tenhamos que nos travestir de um arrebatado ufanismo ou de um patriotismo desmesurado, impedindo que nossos gr\u00e3os saiam do pa\u00eds. De forma alguma, diga-se de passagem. Somos o maior exportador de gr\u00e3os do mundo justamente porque oferecemos ao mercado externo um produto sem igual. E continuaremos a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O que temos que repensar \u00e9 o relacionamento que n\u00f3s, brasileiros, temos com a bebida, que permeia a realidade do pa\u00eds desde os tempos coloniais. Naquela \u00e9poca, tudo de bom que se produzia era destinado \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es. Hoje, quando h\u00e1 muito deixamos de ser col\u00f4nia, n\u00e3o raro temos a sensa\u00e7\u00e3o de estar fazendo o mesmo no que se refere ao caf\u00e9. Em 2008, o volume exportado de caf\u00e9 torrado e mo\u00eddo foi de 6,7 toneladas, contra 1,57 milh\u00e3o de toneladas de caf\u00e9 verde, a ser industrializado em outros pa\u00edses, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Caf\u00e9 \u2013 ABIC.<\/p>\n<p>Assim, sinto-me impelido a questionar: por que nos contentarmos com gr\u00e3os e produtos de padr\u00e3o inferior e pureza duvidosa? Por que nos rendermos aos pre\u00e7os mais baixos, \u00e0s chamadas \u201cbrigas de prateleiras\u201d, priorizando o custo em detrimento da qualidade? Por que nos privarmos de consumir diariamente um caf\u00e9 de sabor e qualidade inigual\u00e1veis, se \u00e9 aqui no Brasil que temos o melhor caf\u00e9 do mundo?<\/p>\n<p>Que fiquem essas reflex\u00f5es e que, ao menos, elas possam trazer \u00e0 tona a consci\u00eancia de que o caf\u00e9 faz parte da nossa hist\u00f3ria, do nosso ber\u00e7o, da constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade como na\u00e7\u00e3o. O fato \u00e9 que hoje, o caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida mais consumida no Brasil, perdendo somente para a \u00e1gua. Ele, como nenhuma outra, \u00e9 capaz de trazer sensa\u00e7\u00f5es de acolhimento e familiaridade, num misto de h\u00e1bito e tradi\u00e7\u00e3o. E justamente por essa rela\u00e7\u00e3o emocional que temos com o caf\u00e9 \u00e9 que nos sentimos impulsionados a sempre incrementar o produto, investindo em m\u00e3o de obra, pesquisas e programas de qualifica\u00e7\u00e3o. E a maior recompensa disso, certamente, ser\u00e1 a constata\u00e7\u00e3o de que o caf\u00e9 gourmet chega massivamente aos supermercados, \u00e0s cafeterias, aos lares. Porque n\u00f3s, brasileiros, merecemos o melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o acorda cedo todos os dias para trabalhar na sua lavoura de caf\u00e9, investe em novas terras e m\u00e1quinas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":3908,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2,21,216],"tags":[369,15,365,367,368,366,284,185],"class_list":["post-4218","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conteudo","category-industria","category-mercado","tag-agronegocio","tag-cafe","tag-colonia","tag-economia","tag-fazenda","tag-historia","tag-produtores","tag-starbucks"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4218"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4220,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4218\/revisions\/4220"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/villacafe.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}